Vaiak’hêl-Pecudê

Igualdade é um tema amplamente tratado e intensamente discutido. Com razão: embasa algumas das chaves de nossa ética, de nossa justiça e de nossa essência.

 

Os liberais exigem igualdade de oportunidades para garantir igualdade de liberdade real. Não adianta dizer que todos têm os mesmos diretos de estudar, trabalhar, se desenvolver, crescer profissionalmente e humanamente se nem todos podem, do mesmo, modo acessar as mesmas escolas e os mesmos recursos ao mesmo tempo. Quem não puder estudar não poderá exercer do mesmo modo esses direitos, e então não terá, de fato, as mesmas liberdades.

 
Os socialistas exigem igualdade de recursos e regras de jogo: igualdade no esforço entregue e nos recursos recebidos. Todos dão seu máximo e retiram o mínimo necessário.
 

A luta de todos os que acreditamos na urgência indispensável da reivindicação do lugar da mulher em todas os espaços se debate nos valores de igualdade e equidade. A igualdade no direito de não ser homem, por exemplo, e contar com todos os direitos, recursos e benefícios.

 

Na filosofia existe um questionamento sobre a igualdade de capacidades dadas tanto pela genética quanto pela educação e pela vida de cada um, pois a desigualdade nessas áreas questiona a responsabilidade sobre o que se pensa, se sente e se faz. A possibilidade de julgar pessoas diferentes com uma lei igual e a possibilidade de educação igualitária mesmo na mesma sala para pessoas essencialmente diferentes.

 

As duas parashiót desta semana arrumam um esquema simples e maravilhoso para estes desafios. Elas contam sobre os detalhes finais da construção do tabernáculo, o templo ambulante no deserto. A descrição salienta enfática e insistentemente a participação de todos por meio da vontade do coração. Tanto na doação quanto na execução, e inclusive na direção, assinala-se a doação da vontade do coração.

 

A tradição explicou a ênfase baseando-se na ideia de que apenas na intenção existe igualdade total. Cada um tem a mesma capacidade de oferecer mais ou menos de seu coração. O coração não é idêntico, mas a liberdade a respeito dele sim.

 

Não temos nada igual e nunca controlamos tudo, nem podemos mudar tudo, mas temos a mesma capacidade e, portanto, a mesma responsabilidade a respeito da nossa sensibilidade, da nossa emoção e da nossa vontade individual. Só ela contava no Mishcán. Só ela conta, afinal, para o olhar divino. Pois só a respeito dela temos todos as mesmas liberdades e limitações.

 

Shabat Shalom.
Rabino Ruben Sternschein