Vaerá

UM DEUS, MUITOS NOMES 

Sabemos que Deus tem vários nomes, cada um deles representa um aspecto divino que se apresenta no mundo. Logo de entrada, Deus se apresenta como “Senhor” (através do tetragrama ( Iud – Hei – Vav – Hei). Nos dois psukim (versículos) iniciais temos também outras duas expressões de Seu nome:

Deus disse a Moshé…: Eu sou o Senhor. Eu apareci a Avraham, Itshak e Iaacov como El Shadai, mas meu nome Senhor, não os revelei”.

 

Segundo o midrash, “Elohim” (aqui traduzido como Deus) representa a força de justiça divina, já o tetragrama (aqui traduzido como Senhor) a faceta de misericórdia. “El Shadai” é interpretado por alguns como “aquele que provê”.

 

Realmente o nome El Shadai aparece somente em Genesis, e depois desta afirmação, não volta a aparecer em toda a Torá. Um midrash moderno afirma que os patriarcas tinham a necessidade de um Deus acolhedor e encorajador, como um pai. Porém a situação com Moshé já é outra, e a expressão de Deus precisou mudar. Por isso já não existe a necessidade da manifestação de El Shadai.

 

Os aspectos divinos manifestados por seus diferentes nomes são intensos e quase radicais. O aspecto de justiça vem cegamente. Deus está muito inclinado a punir Moshé por não acreditar que a promessa de libertar os hebreus do Egito seria cumprida, já que a opressão só aumentou na primeira tentativa de pedir ao faraó que os liberte.  O atributo de misericórdia divina intervém: Eu sou o Senhor. Deus entende que essa é a voz do povo, que vem sofrendo há tanto tempo.

 

Essa será também a última vez que Deus se manifestará como Elohim em uma conversa com Moshé, a faceta cega da justiça.

 

Em tão pouco, tantas expressões divinas, quase como uma nova revelação de Deus a Moshé (isso sem considerar que na parashá da semana passada Deus se apresenta também como Eheie Asher-Eheie).

 

Em uma época e cultura na qual as divindades tinham um nome, que expressava seu temperamento e atitudes perante o mundo, é importante para Deus, para Moshé e para os hebreus que todos compreendam que tudo o que se manifesta é do mesmo e único Deus, não importa o nome.

 

A promessa feita aos patriarcas de serem uma grande nação em uma terra livre vem do mesmo Deus que agora vai agir ferozmente contra o faraó e Quem os salvará. Um único Deus, com todas essas qualidades. Abre caminho também para que outros nomes possam aparecer, sem o risco de que isso possa ser entendido como alguma outra força, dissociada de Deus.

 

A relação do povo com Deus não vai se construir a partir de uma comunicação direta, eles têm a Moshé como intermediário. Precisa ficar muito claro que Deus é único e se manifesta diferente. Como vamos chamá-lo não muda sua essência, mas nos muda.

 

Shabat Shalom,

Rabina Fernanda Tomchinsky-Galanternik