Rosh Hashaná

Inscritos para um ano bom

O toque do Shofar em Rosh Hashaná é um decreto divino que contém em si a seguinte sugestão: “Vocês, que permanecem adormecidos, despertem de seu sono, fortaleçam-se em suas ações, retornem (ao bom caminho) com arrependimento e tenham presente seu Criador! Os que esqueceram a verdade, submersos em futilidades, e que andaram extraviados durante todos os anos no vazio que não produz benefício nem salvação a ninguém – examinem suas almas, melhorem seus atos e seus propósitos, e abandonem todos os pensamentos maus e os pensamentos que não conduzem ao bem!”

Maimônides

Rosh Hashaná, literalmente “cabeça do ano” em hebraico, marca o início de um período de dez dias de orações e introspecção, que culmina no Iom Kipur, o Dia do Perdão.  Estes dez dias são os Iamim Noraim (Dias Intensos ou Dias Temíveis) ou Asséret Iemê Teshuvá (Dez Dias de Ar-rependimento), porque, de acordo com a tradição, é quando Deus irá selar o destino de cada um dos seres humanos. Por conta disso, em Rosh Hashaná, costuma-se cumprimentar as pessoas ou enviar mensagens com o seguinte conteúdo:

“LeShaná Tová Ticatêv Vêtechatêm” (para homens)

“LeShaná Tová Ticatevi Vetechatêmi” (para mulheres)

“Que você seja inscrito(a) e selado(a) para um bom ano”.

O costume de enviar cartões com essas mensagens provavelmente teve origem na Alemanha, durante a Idade Média, de acordo com o livro The Rosh Hashanah Anthology, de Philip Goodman. Ele diz que a tradição foi mencionada pela primeira vez pelo rabino Jacob Molin, que teria iniciado o envio de cartões aos amigos.

Grandes Festas

Na Diáspora, o período que inclui Rosh Hashaná e Iom Kipur também recebeu o nome de Grandes Festas (provavelmente uma tradução livre da expressão High Holidays, como é chamado nos países de língua inglesa), mas não há termo equivalente em hebraico.

A maioria das festas do calendário judaico é comemorada por dois dias na Diáspora e apenas um dia em Israel. Isso ocorre porque, na fundação do Estado de Israel, não se sabia ao certo o dia que os líderes religiosos haviam definido para a celebração. Rosh Hashaná, entretanto, é uma exceção e também é celebrado durante dois dias em Israel. A lei judaica determina que Rosh Hashaná deve ser ‘um dia prolongado”.

No primeiro dia de Rosh Hashaná, à beira de um rio ou fonte de água, recitam-se orações de penitência. A cerimônia é chamada de Taschlich (lançamento) e, nas congregações liberais, é realizada inclusive em parques públicos, como no Ibirapuera, em São Paulo, ou no Central Park, em Nova York. Durante as orações, as pessoas colocam os bolsos para fora, simbolizando estarem se livrando de seus pecados.

Shofar

O shofar (literalmente “chifre”) é um dos mais antigos instrumentos de sopro do mundo. Mencionado inúmeras vezes na Bíblia, o toque do shofar assinalou vários momentos solenes na vida do povo judeu, desde a entrega dos Dez Mandamentos, no Monte Sinai. Ele era soado para convocar reuniões, mobilizar exércitos, anunciar o Ano do Jubileu, a chegada da Lua Nova e o Início dos feriados. De acordo com a tradição, o profeta Elias, arauto da Redenção, soará o shofar para anunciar a chegada do Mashíach.

Em Rosh Hashaná, o toque do shofar é repetido nos dois dias, por 30 vezes. É o momento mais esperado na sinagoga, quando as crianças são chamadas para junto dos pais e as atenções estão voltadas para quem toca. No mês de Elul, que antecede Rosh Hashaná, toca-se o shofar todos os dias.

A pessoa que toca o shofar deve permanecer em pé. O shofar usado em Rosh Hashaná deve ser um chifre curvo de carneiro, com comprimento superior a quatro polegadas.