Pluralismo

O pluralismo religioso da Congregação Israelita Paulista parece ser uma vocação, marcada desde o início da sua história.
Nos anos 1930, dos cerca de 40 mil judeus alemães que chegaram ao Brasil, refugiados da Alemanha nazista, cerca de 20 mil escolheu viver em São Paulo, em boa parte um grupo de pessoas instruídas, de rica bagagem intelectual e judaica, em boa parte profissionais liberais e homens de negócios das classes média e alta alemãs. Entre eles estava o rabino Fritz Pinkuss, de abençoada memória. Pinkuss, que antes era rabino de Heidelberg, esta disposto a reorganizar a sua vida religiosa e a de tantos imigrantes em terras brasileiras.
Segundo o artigo “Mulheres judias que marcaram época (Rachel Mizrahi, Revista Morashá, setembro de 2004), naquela época a comunidade judaica contava com serviços beneficentes de famílias que por aqui aportaram nas décadas anteriores. Entre elas destaca-se a figura de Céline (Ort) Levy, de origem ashkenazi, porém pertencente à comunidade sefaradi por parte de seu marido, Sylvain Levy. Céline, que além do francês, entendia o alemão, encarregou-se de recepcionar imigrantes asquenazis que chegavam da Alemanha nazista,a partir dos anos 30. Foi ela quem providenciou o salão da antiga Sinagoga da Abolição para os primeiros serviços religiosos. Sem se preocupar com as origens culturais ou diferenças filosóficas dos imigrantes, Céline trabalhou para aproximar os rabinos Fritz Pinkuss, de tradição liberal, e Jacob Mazaltov, então responsável pela condução religiosa da Sinagoga Israelita Brasileira do Rito Português. Mais adiante, em 1936, o rabino Fritz Pinkuss constituiu a Congregação Israelita Paulista, apoiado por algumas famílias ashkenazis — como os Teperman, os Mindlin, os Lafer, os Grinberg e os Klabin, entre outras.
Ao longo destes mais de 70 anos de existência, com uma visão ampla de mundo e pluralista de judaísmo, a CIP cresceu e se tornou a maior congregação judaica da América Latina. Ao lado e depois do rabino Pinkuss z´l, a CIP, que já teve em sua época um importante núcleo ortodoxo, contou também com rabinos de formação ortodoxa, conservadora e reformista, que muito contribuíram e contribuem para a formação da identidade da congregação.
Nas palavras do rabino Henry Sobel, rabino da CIP de 1970 a 2007 e que marcou época na história da congregação, “não há palavras que expressem adequadamente nossa gratidão aos fundadores da Congregação Israelita Paulista. Seu exemplo de coragem, esperança e fé nos inspira até hoje, e certamente continuará inspirando as futuras gerações da CIP… nós, os sucessores, estamos decididos a preservar, consolidar e levar adiante a obra que nos foi legada. Temos como diretriz a célebre frase do filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard: A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para frente. Assim o é com a vida da nossa Congregação.” (Revista CIP – 65 Anos, março de 2002).