Matót-Massê

Obtemos três universos de respostas quando nos enfrentamos com a pergunta da escolha de carreira ou atividade profissional em qualquer momento da vida de uma pessoa: o primeiro diz “escolho aquilo que vai me tronar mais rico”; o segundo, “escolho aquilo que vai me dar mais satisfação fazer, que gosto mais, que tenho mais interesse, que me sinto mais realizado ao fazê-lo”; e o terceiro escolhe em função do que acredita que o mundo, a sociedade, seu entorno, precisa mais.

 

Existe alguma relação entre as três motivações, ou elas são excludentes?

 

Nesta semana lemos na parashá Matot que duas tribos e meia pedem para não entrar na Terra Prometida pois acham melhores condições para seus interesses financeiros nas terras que estão à beira de Canaã. Na narrativa fica claro que tal postura esconde outro interesse: evitar se expor aos riscos da conquista da Terra Prometida.

 

Moisés, então, enfrenta os representantes das tribos com uma pergunta: “seus irmãos irão à guerra e vocês ficarão aqui sentados (com seus bens)? Ou seja, Moisés denuncia: será que o bem pessoal justifica a renúncia ao bem coletivo?

 

Kant explicaria mais tarde que a definição de “bem” encontra-se apenas naquilo que pode se tornar uma lei universal, ou seja, que todos podem segui-lo. Neste caso, se todos agissem como eles, não conquistariam a Terra Prometida e todos acabariam disputando esse território à beira de Canaã. Em outras palavras: eles precisam que os outros vão à guerra pela Terra Prometida para que eles possam permanecer onde estavam.

 

No final do relato bíblico é estabelecido um acordo segundo o qual as duas tribos e meia irão à conquista junto com todas as outras. Elas ajudarão no assentamento de todas e, só depois, retornarão às terras mais favoráveis para seus bens. Desse modo, cuidar do bem geral se torna justamente o caminho para obter também o bem pessoal.

 

Às vezes, fazer o que é bom para os outros resulta no bem individual também. Escolher aquilo que contribui mais com a sociedade ou com o mundo pode ser justamente aquilo que será mais recompensado. Escolher aquilo que dá mais satisfação pode resultar justamente na melhor das contribuições possíveis e, por isso, pode ser o caminho que maior recompensa dará.

 

Mas a realidade é sempre assim? Recebem mais os que contribuem com algo mais valioso? Os que se doam com o melhor de si? Os que buscam o que a sociedade mais precisa?

 

Que saibamos assumir nossa parte com dignidade e felicidade.

 

Shabat shalom.

Rabino Ruben Sternschein