Lag Baômer

por rabino Michel Schlesinger

Na nossa sociedade o tempo é sempre medido.

Isto pode levar, muitas vezes, a generalizações mas, de qualquer forma, o fator tempo está sempre presente nas relações interpessoais.

Os indivíduos são valorados pela idade. Quando se conhece alguém, logo se quer saber quantos anos tem. Quanto mais jovem, mais dinâmico por um lado, mas por outro tem muito mais para vivenciar e aprender. Quanto mais velho mais sábio, porém nem tanta energia. Bodas de prata, ouro, diamante – são exemplos do tempo medido com precisão e afinco por nós.

Os bens são avaliados pelos anos de uso. Ninguém vai comprar um carro sem saber qual o ano de fabricação e modelo. Outros fatores também são importantes, como estado de conservação e quilometragem. Mas a primeira pergunta será, sem dúvida, qual é o ano do veículo.

Os profissionais são recompensados pelo tempo de experiência. Entre as principais informações que deve conter um currículo são os anos de atividade. Todo empregador quer saber qual é a vivência do seu funcionário dentro daquela profissão e o salário será proporcional a sua experiência.

Ninguém pode comprar um produto, principalmente um alimento, sem verificar a data de validade.

E no judaísmo não é diferente. O tempo está sendo sempre auferido e a vida do judeu observante é pautada por ele. Desta forma, aos oito dias vem a circuncisão, aos 12 anos o bat-mitzvá. O ano é de 5773. E o Iom Kipur acontece no décimo dia do mês de Tishrêi.

Porém, nada se compara a contagem do tempo que fazemos neste época do ano. Essas sete semanas são acompanhadas, dia a dia, por judeus de todo o mundo.

Estamos falando de Sefirát Haomer. Contagem de quarenta e nove dias que separam dois fenômenos naturais em Israel. O início da colheita da cevada no dia um e o início da colheita do trigo no dia 50.

Omer era a quantidade de primícias levadas pelo povo ao Templo de Jerusalém, aproximadamente 4 litros, como sinal de agradecimento por mais um ano de colheitas.

Além disto, Sefirát Haomer conecta duas das principais festas do nosso povo: Pessach eShavuot.

Segundo os nossos rabinos em ambas as festa adquirimos liberdades. Enquanto o final da escravidão, comemorado em Pessach, representou a libertação física do nosso povo, a liberdade espiritual só foi adquirida em Shavuót, com o recebimento da Torá no Monte Sinai.

Segundo Moisés Maimônedes, filósofo do século XII, a libertação da escravidão não é um fim em si mesmo porque uma liberdade física sem lei é uma benção duvidosa.

Talvez, em uma ilha deserta, um indivíduo pode ser mais livre sem leis. Contudo em sociedade, a liberdade existe apenas na presença de normas que regrem o grupo e estabeleçam os limites entre as liberdades dos diferentes indivíduos.

Alguns dias da contagem do Omer são especiais: Iom HaShoá, Iom HaZicarón, Iom Haatsmaút, Iom Ierushaláim e Lag BaOmer.

O dia 33 da contagem do Omer adquiriu uma relevância única porque relembra três principais acontecimentos. Lag BaOmer recorda a luta de Bar Cochvá e seus seguidores contra os romanos por liberdade religiosa, o fim da epidemia que vitimou os aluno de Rabi Akiva e o falecimento de Rabi Shimon bar Iochái que pediu, antes de se despedir, que o dia de sua morte se transformasse em um dia de celebração da vida.

O Homem desenvolveu aparelhos que medem o tempo com uma exatidão impressionante. Agora, falta criar um cronômetro que verifique se cada milésimo de segundo está sendo vivido com conteúdo, espiritualidade e amor.

Vamos contar o tempo e vamos, principalmente, fazer com que o tempo “conte”.

Lag BaOmer Samêach!