Tu B’Shevat

O ciclo da natureza
E quando entrardes na terra, plantareis toda espécie de árvores
Levítico 19:23

Em Tu b’Shevat, comemora-se o “Ano Novo das Árvores”, de acordo com o calendário judaico. Por isso, a festa também recebe o nome de Rosh Hashaná La’Ilanot.
A Mishná, lei oral que deu origem ao Talmud, aponta a celebração de quatro datas especiais: o Ano-Novo dos Reis e das Festas (1º de Nissan); Ano-Novo dos Animais (1º de Elul); Ano-Novo dos Homens (Rosh Hashaná, em 1º de Tishrei); e o Ano-Novo das Árvores (1º de Shevat). Este último coincide com o período da colheita em Israel e marcava, nos tempos da Mishná, a época de pagamento de tributos.
A data original (1º de Shevat) foi modificada para o 15º dia, por conta de uma curiosa adaptação. Muitos líderes religiosos não concordavam com a comemoração no dia 1º porque, em Israel, dependendo da região, algumas árvores começam a dar os primeiros frutos no início do mês e outras, no final de Shevat. Portanto, fixou-se o dia 15 para a festa, surgindo daí o nome Tu b’Shevat, já que, de acordo com a numerologia hebraica, a sigla “tu” se compõe das letras tet e vav e tem o valor numérico de 15.
Com a conquista de Israel pelos cruzados cristãos, no século XI, e a migração da maior parte dos judeus rumo ao Oriente, a tradição do Rosh Hashaná La’Ilanot quase desapareceu da região, passando a se concentrar nas comunidades ashkenazim européias.
Mas com o surgimento do movimento sionista, no final do século XIX, e, principalmente, após a criação do Estado de Israel, em 1948, a festa de Tu b’Shevat ganhou novo significado. Isso porque diversas regiões de Israel apresentavam terrenos pantanosos ou composições do solo impróprias para o plantio. A comemoração passou a ser, então, associada à reconstrução da agricultura e da natureza em Israel.
Em 1884, um grupo de moradores do Moshav Iesso HaMa’alá, na Galiléia, comemorou o Tu b’Shevat pela primeira vez com o plantio de árvores, o que se tornaria uma tradição. A preocupação com o reflorestamento ganhou corpo com a criação, em 1901, do Keren Kayemet LeIsrael (Fundo Nacional Judaico), considerado por muitos estudiosos como a primeira entidade ambientalista moderna. O KKL foi responsável pela compra e recuperação produtiva de muitos terrenos em Israel, já a partir do início do século XX.

Seder de Tu b’Shevat
É costume nas congregações liberais contemporâneas realizar um Seder de Tu b’Shevat, semelhante ao Seder de Pessach, com a leitura de histórias sobre a natureza e a importância da preservação do meio-ambiente. Durante a refeição são servidas quatro taças de vinho branco misturado a vinho tinto em diferentes proporções – uma mais vermelha que a anterior – de maneira a demonstrar o desenvolvimento das flores e as diferenças entre as estações do ano.
Também são levados à mesa alimentos naturais, dando-se preferência àqueles que existem em Israel, como alfarroba (espécie de vagem), trigo, cevada, uvas, figos, romã, azeitonas, tâmaras, amêndoas, castanhas, maçãs, pêras, azeite e mel.