Shavuot

A festa do recebimento da Torá

E vos falou o Eterno, em meio ao fogo; som de palavras vós ouvistes, porém, imagem alguma não vistes, tão somente uma voz. E vos anunciou a Sua aliança, que vos ordenou que a guardásseis, os dez pronunciamentos; e escreveu-os sobre duas tábuas de pedras
Deuteronômio 4:12-13

Shavuot, um dos mais festivos dias do calendário hebraico, marca o momento sublime da religião: a entrega da Torá. Celebrada nos dias 6 e 7 do mês de Sivan, a Festa das Semanas (tradução de Shavuot) ocorre exatamente sete semanas depois de Pessach, quando o povo judeu se livrou da escravidão no Egito. Shavuot indica também o final da Sefirat Haómer (contagem do Ómer), o início do período de colheita das frutas.
Há mais de três mil anos, depois de deixar o Egito na noite de Pessach, os judeus caminharam durante 49 dias, quando acamparam ao pé do Monte Sinai. no deserto.
Foi lá mesmo que Deus se dirigiu ao seu povo e fez a grande  revelação. Moisés, líder dos hebreus, recebia no topo do monte, grafados em duas tábuas de pedra, os Dez Mandamentos, que constituíram a essência da Torá e também da ética judaica. As Tábuas da Lei proclamam:
1. Eu sou o Senhor, teu Deus, que te libertou da terra do Egito, da casa da escravidão.
2. Não terás outros deuses diante de Minha presença. Não farás para ti imagem de escultura nem nada semelhante ao que há nos céus acima, ou na terra embaixo, ou na água debaixo da terra. Não te prostrarás diante deles nem o servirás; pois Eu sou o Senhor, teu Deus – um Deus zeloso, que visita as iniqüidades dos pais nos filhos, até a terceira e quarta gerações dos que me ofendem. Mas mostrarei bondade por centenas de gerações àqueles que Me amarem e cumprirem Meus mandamentos.
3. Não jurarás pelo nome do Senhor, teu Deus, em juramento vão, pois Deus não absolverá ninguém que use Seu nome em juramento em vão.
4. Lembra-te do dia de Shabat, para santificá-lo. Por seis dias deverás trabalhar e cumprir todas as tuas tarefas, mas o sétimo dia é Shabat de teu Deus; não deves fazer nenhum trabalho – tu, teu filho, tua filha, teu servo, tua serva, teu animal e o peregrino – pois, em seis dias Deus fez os céus, a terra, o mar e tudo que neles está, e Ele descansou no sétimo dia. Por isso, abençoou  o dia de Shabat e o santificou.
5. Honrarás teu pai e tua mãe, para que se prolonguem teus dias sobre a terra.
6. Não matarás.
7. Não adulterarás.
8. Não furtarás.
9. Não darás falso testemunho contra teu próximo.
10. Não cobiçarás a casa de teu próximo, nem a mulher de teu próximo e seu servo, sua serva, seus animais. 
Os Dez Mandamentos compõem os princípios fundamentais da fé judaica. Deram força para que Moisés e seu povo continuassem a marcha até a Terra Prometida, ao longo de 40 anos pelo deserto. Os valores divinos passados aos judeus no Monte Sinai foram transmitidos de geração para geração e hoje são incorporados por toda a humanidade civilizada.
Shavuot é conhecida também por Zman Matan Torá, que significa época da entrega da Torá. Mas a festa recebe também outros nomes. O Talmud usa o nome de Atséret (Festa de Encerramento), por simbolizar o final de um ciclo – ganhamos a liberdade em Pessach para receber a Torá em Shavuot. Devido ao  significado agrícola, a data é conhecida, ainda, por outros dois nomes: Chag Hakatzir (Festa da Safra), já que é celebrada na época da colheita do trigo, e Chag Habikurim (Festa das Primícias), por marcar o início da colheita das primeira frutas, levadas ao Templo de Jerusalém como oferenda de gratidão a Deus.

A história da Torá (cuja tradução em português é instrução, apontamento, lei) começa em Shavuot, com a revelação divina dos Dez Mandamentos. Mas ela engloba outros 613 preceitos (mitzvot, em hebraico). Os preceitos positivos somam 248, número de órgãos do corpo humano. Os outros 365 preceitos negativos, que não devemos praticar, equivalem ao número de vasos sangüíneos do homem.
A obra central do judaísmo é composta por duas partes: a Lei Escrita e a Lei Oral. A primeira parte contém os cinco livros de Moisés: Bereshit/Gênese, que narra a criação do mundo; Shemot/Êxodo, que aborda o período de escravidão dos judeus e a fuga do Egito; Vaicrá/Levítico, que apresenta os aspectos básicos sobre regras de cashrut e a sistematização do ministério sacerdotal; Bamidbar/Números, a narrativa da saga dos judeus no deserto, e Devarim/Deuteronômio, onde estão compilados os últimos discursos de Moisés.
A Lei Oral esclarece a Lei Escrita. Antes de ser transcrita, era transmitida boca-a-boca, de geração em geração.

Costumes 
Em Shavuot, enfeitam-se as casas e sinagogas com frutas, flores e folhas, para recordar a época de colheita e a oferenda dos primeiros frutos. A decoração especial também faz lembrar a flora que brotou no Monte Sinai, no momento da revelação divina. Durante as orações, lê-se na Torá o trecho referente à entrega dos Dez Mandamentos.
No segundo dia de festa, há a leitura do livro de Ruth, narrando a dedicação de uma jovem moabita que abraçou o judaísmo com todo o coração. A história transcorre na época da colheita, justamente em Shavuot. Ruth também era ancestral do rei David, cujo nascimento e morte ocorreram em Shavuot.