Iom Hazikaron

Em memória dos heróis de Guerra

Nunca diga ser esta a sua derradeira estrada
mesmo que nuvens carregadas cubram dias azuis…
Do hino dos partisans poloneses

O Iom Hazicaron (Dia da Recordação) foi incluído no calendário judaico moderno para homenagear os heróis e heroínas tombados na defesa do Estado de Israel. A data, definida pelo governo israelense, é 4 de Iyar, véspera de Iom Haatsmaut, o Dia da Independência.

Guerras que marcaram Israel
Durante sua curta existência moderna, Israel vem travando guerras e batalhas contra exércitos e forças terroristas. Foi assim nas guerras da Independência (1948), do Sinai (1956), dos Seis Dias (1967), de Iom Kipur (1973), na Operação Paz para a Galiléia (1982), na 1ª Intifada (1987-1993), na Intifada de Al Aqsa (2000-2002) e, mais recentemente, na guerra contra terroristas do Hizbollah no sul do Líbano (julho/agosto de 2006).  Seis décadas depois da concretização do sonho de reconstrução do Estado de Israel, a paz no Oriente Médio continua sendo um sonho não realizado.

A Guerra da Independência (1948-1949)
O conflito teve início um dia após a proclamação da independência de Israel, não aceita pelo mundo árabe. Cinco exércitos árabes invadiram o território do novo Estado Judeu, produto da partilha da Palestina, decidida pela ONU. A guerra foi marcada pela franca desvantagem de Israel diante das tropas do Egito, Síria, Líbano, Iraque, Transjordânia e de milhares de voluntários palestinos.
A luta durou um ano e meio e deixou um saldo de seis mil israelenses mortos. Uma trégua patrocinada pelas Nações Unidas pôs fim ao conflito. Em 24 de fevereiro de 1949 foi assinado o cessar-fogo com o Egito; em 23 de março, com o Líbano; em 3 de abril, com a Transjordânia, e, em 20 de julho, com a Síria.

A Campanha do Sinai
O colapso das potências coloniais – Grã-Bretanha e França, principalmente – e a vitória de Israel em 1948 fizeram crescer o nacionalismo no mundo árabe. Em 1952, o líder militar pan-arabista Gamal Abdel Nasser chegava ao poder no Egito. Três anos depois, com apoio do então bloco soviético e contrariando resolução do Conselho de Segurança da ONU, Nasser decretou um bloqueio aos navios israelenses junto às águas internacionais, em especial pelo Canal de Suez e o Estreito de Tiran. Era o único acesso de Israel ao Mar Vermelho. A Península do Sinai gradualmente se transformava em base militar do Egito.
Em 1956, o líder egípcio selou uma aliança militar com Síria e Transjordânia. O governo de Israel, sentindo a ameaça, elaborou, com apoio da França e da Grã-Bretanha, um plano para um ataque preventivo contra o Egito, que, no mesmo ano, havia decidido nacionalizar o Canal de Suez e bloquear o porto israelense de Eilat, provocando imediata reação franco-britânica.
Em coordenação com os europeus, Israel lançou então uma campanha contra o Egito. Em oito dias, as forças israelenses alcançaram as margens do Canal de Suez. Enquanto isso, tropas francesas e britânicas iniciavam um ataque contra diversas posições militares ao longo do canal. A Faixa de Gaza e toda a Península do Sinai foram tomadas; Israel reabriu o porto de Eilat. A luta terminou com o envio de uma Força de Emergência das Nações Unidas, que supervisionaria o cessar-fogo.
Entre novembro de 1956 e março de 1957, Israel retirou-se das áreas conquistadas. Em conseqüência, o Estreito de Tiran foi reaberto, permitindo o de-senvolvimento do comércio com países da África e Ásia.

A Guerra dos Seis Dias (1967)
Após uma década de aparente tranqüilidade, Israel novamente foi ameaçada pelo nacionalismo pan-árabe em 1967, quando a ONU cedeu às pressões de Nasser para retirar da região as tropas da Força de Paz. Diante da escalada de ações terroristas e de exercícios militares agressivos dos exércitos árabes, Israel decidiu lançar um ataque preventivo.
Sob a liderança do general Moshé Dayan, as tropas israelenses iniciaram a ofensiva no dia 5 de junho. Caças-bombardeiros atacaram nove campos de pouso, aniquilando a Força Aérea egípcia no chão. Ao mesmo tempo, blindados investiam contra a Faixa de Gaza e o Norte do Sinai. Depois de três dias de luta, todo o Sinai estava sob o controle de Israel. Nas 72 horas seguintes, os israelenses impuseram derrota devastadora aos adversários.
Ao fim de seis dias de combate, novas fronteiras haviam sido criadas. A Cisjordânia, Gaza, a Península do Sinai e o Planalto de Golan agora estavam sob domínio israelense. Com a conquista de Jerusalém Oriental (antiga), a capital eterna do povo judeu foi reunificada.
O reflexo do conflito, porém, permanece até hoje, uma vez que não há acordo para a devolução completa aos palestinos da Cisjordânia, que, nos últimos 40 anos, ganhou inúmeras colônias judaicas, algumas com dezenas de milhares de habitantes.

A Guerra do Iom Kipur (1973)
Após a morte de Gamal Abdel Nasser, seu braço-direito, Anwar Sadat, assumiu o poder no Egito. Para manter a liderança egípcia no mundo árabe e vislubrando uma negociação posterior com Israel em posição de força, Sadat decidiu encabeçar um novo ataque. Em 6 de outubro de 1973, durante o Iom Kipur, o dia mais sagrado do calendário judaico, forças egípcias, mais uma vez acompanhadas pela Síria, lançaram um ataque de surpresa contra Israel. Outros nove países árabes apoiaram o esforço de guerra sírio-egípcio.
Enquanto as forças sírias avançavam no Golan, o Egito investia contra as posições israelenses junto ao Canal de Suez e na Península do Sinai. Combates ferozes transcorreram ao longo de três semanas. Depois de sofrer pesadas perdas iniciais, as forças israelenses conseguiram cortar as linhas de suprimento inimigas atacando o lado egípcio do canal, de maneira a isolar as tropas invasoras. A mediação dos EUA e da União Soviética permitiu um cessar-fogo. Nos dois anos seguintes, novas negociações culminaram com a retirada israelense de territórios conquistados.

Operação Paz para a Galiléia (1982)
Em meados de 1970, depois de serem expulsos da Jordânia, guerrilheiros da Organização pela Libertação da Palestina (OLP) instalaram um santuário no Sul da Líbano, de onde iniciaram ataques contra kibutzim e cidades do Norte de Israel.
Os atentados levaram as forças israelenses a montar uma grande incursão no Líbano, denominada “Operação Paz para a Galiléia”, que contou inicialmente com o apoio de milícias cristãs e mesmo dos xiitas libaneses. O objetivo era expulsar a OLP da região e afastar os sírios que a apoiavam.
A resistência palestina foi tenaz, com grandes baixas de ambos os lados. Mas Israel terminou ocupando a capital, Beirute. As tropas israelenses se retiraram de Beirute, conservando, porém, o controle sobre uma faixa de segurança no Sul do Líbano. A retirada completa, unilateral, aconteceria em 2004.

A Primeira Intifada (1987-1993)
A Intifada (“sobressalto”, em árabe) foi um levante popular palestino, espontâneo, que teve início no final da década de 1980 e visava protestar contra a ocupação israelense em Gaza e na Cisjordânia. Tudo começou em 1987, quando jovens palestinos, armados com paus e pedras, começaram enfrentar as tropas israelenses.
Houve centenas de mortes dos dois lados e, em 1989, foram abertas negociações de paz entre Israel e Síria, Líbano, Jordânia e representantes palestinos. O processo sofreria um grave golpe com a decisão do líder supremo da OLP, Yasser Arafat, de apoiar o ditador iraquiano Sadam Hussein, em sua tentativa de ocupar o vizinho Kuwait, em 1990.
O ataque levou à formação de uma coalizão de 28 países, liderada pelos EUA, que atacou o Iraque, forçando Sadam Hussein a retirar suas tropas do Kuwait. Após o final daquela que ficou conhecida como Guerra do Golfo, em 1991, os EUA e a então União Soviética pressionaram os Estados da região a celebrar a Conferência de Madrid, em busca de uma paz duradoura no Oriente Médio.

O Tratado de Oslo
Após as primeiras conversações – frias – de paz em Madrid, israelenses e palestinos iniciaram negociações de paz mais sólidas. Os contatos iniciais, ainda secretos, aconteceram em Oslo, Noruega, em 1992. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Shimon Peres, e o presidente da OLP, Yasser Arafat, assinaram um acordo comprometendo-se a unir esforços para a realização da paz entre os dois povos.
Entre as principais disposições do Tratado estavam o término da Intifada e a abertura de negociações para a devolução dos territórios em que seria instalado o futuro Estado Palestino. Em maio de 1994, no Cairo, foi assinado o Acordo Gaza-Jericó. O documento definia as primeiras áreas a serem entregues aos palestinos. Em outubro do mesmo ano, a Jordânia assinou um acordo de paz com Israel.
Israel e a OLP firmaram, em Washington, em 1995, o Tratado de Oslo II, agregando a maior parte da Cisjordânia ao controle palestino. Isso valeu ao primeiro-ministro israelense Yitzkak Rabin, ao chanceler Shimon Peres e a Yasser Arafat o prêmio Nobel da Paz. Mas naquele mesmo ano, um fundamentalista judeu assassinou Yitzhak Rabin, abalando o processo de paz.

A Segunda Intifada (2000-2002) 
Com a morte de Rabin, o processo de paz ficou estagnado até 1999. As negociações foram retomadas mas esbarravam na questão da soberania sobre Jerusalém, reivindicada como capital pelos dois lados. Depois de inúmeros encontros, quando tudo parecia rumar para um acordo, Yasser Arafat recuou e os ataques terroristas recomeçaram.
Em setembro de 2000, uma visita do líder do Likud, Ariel Sharon, aos arredores da mesquita de Al-Aqsa (local sagrado para os muçulmanos), em Jerusalém, desencadeou uma grande revolta palestina, que ficou conhecida como a Segunda Intifada ou Intifada de Al-Aqsa. Dessa vez, com a entrada em cena de homens-bomba palestinos, que mataram dezenas de civis em Israel.
Israel decidiu, em 2005, retirar-se de forma unilateral da Faixa de Gaza, entregue à Autoridade Palestina. No momento em que este livro é concluído, em meados de 2007, prossegue o conflito – ora aberto, ora de baixa intensidade –, entre Israel e facções terroristas islâmicas como a Hamas e o Jihad palestinos. Em 2006, Israel invadiu o Sul do Líbano em uma tentativa de destruir a infra-estrutura do Hizbolá.