Iom Haatzmaut

Dia da independência
Para que não tenhamos que perambular de um exílio para outro, necessitamos ter uma terra de refúgio ampla e que nos sustente, um lugar concreto que nos pertença…
Yehuda Leib Pinsker, um dos pioneiros do sionismo, no livro Auto-emancipação(1882)

Anoitecer do dia 5 de Iyar. Naquele 14 de maio de 1948, o pensamento dos judeus de todo o mundo se voltava para o edifício do Museu de Tel Aviv. Todos aguardavam ansiosamente as palavras que seriam pronunciadas por David Ben Gurion, presidente do Executivo da Organização Sionista Mundial. “Am Israel chai be Israel”; “o povo de Israel vive em Israel”, disse Ben Gurion, em um breve discurso que seria sucedido pelos acordes do Hatikvá, o hino do recém-nascido Estado de Israel.
Desde então, o Iom Haatsmaut, a mais jovem das festas do calendário judaico, é comemorado a cada dia 5 de Iyar de modo muito especial, porque marca a reconstrução do Estado judeu após mais de 2000 anos de exílio, sem que o povo jamais abrisse mão de suas ligações com a terra.

Começo difícil 
Ao mesmo tempo em que festejava a realização do sonho da independência, a população israelense se preparava para uma guerra anunciada desde que as Nações Unidas decidiram pela partilha da Palestina, em 29 de novembro de 1947, iniciando a contagem regressiva para a retirada das tropas britânicas de ocupação. No dia 16 de maio de 1948, apenas um dia depois do anúncio da criação de Israel, os exércitos do Egito, Transjordânia, Síria, Líbano e Iraque invadiram o país, forçando o novo Estado a defender sua soberania.
Os exércitos árabes somavam 300 mil soldados egípcios, 60 mil transjordanianos, 300 mil sírios, 10 mil iraquianos e 50 mil palestinos, além de milhares de voluntários de outros países árabes. Israel contava apenas com 140 mil homens precariamente armados, aos quais se somavam voluntários vindos de diversos países para ajudar a construção do lar nacional judaico.
Depois de 15 meses de combates ferozes que custaram as vidas de mais de seis mil israelenses – quase 1% da população  judaica do país – Israel conseguiu rechaçar os invasores. E garantiu a sua existência como nação soberana.

A bandeira 
A bandeira de Israel foi criada pelo líder sionista David Wolfsohn, à época da independência. O fundo branco e as duas faixas azuis foram inspiradas no talit, o xale usado durante as preces judaicas. De acordo com a tradição, a estrela de David (Maguen David) estava no escudo com que o patriarca bíblico Jacob derrotou um anjo mandado por Deus, ocasião em que assumiu também o nome de Israel.

A menorá
O candelabro de sete braços é um dos mais conhecidos símbolos do judaísmo e de Israel. Segundo a Cabala, a mística judaica, a menorá é comparada à árvore da vida. Seus sete braços simbolizam os sete dias da criação do universo e os atributos emocionais: amor, benevolência; justiça, disciplina, autocontrole; harmonia, compaixão; resistência, constância; humildade, reverência; capacidade de união, de empatia; autovalorização, liderança. A menorá está no centro do brasão de Israel. Os dois ramos de oliveira que a acompanham, um de cada lado, representam o anseio de paz.

Comemorações e costumes 
Por ser uma festa nova, Iom Haatzmaut ainda não conta com muitos costumes estabelecidos. Segue os rituais de um Iom Tov (dia especial), suspendendo-se o trabalho antes do pôr-do-sol. Muitos acendem velas em memória dos que sacrificaram sua vida por Israel. A homenagem é prestada também através de duas orações, uma pela paz e outra em recordação dos mortos nas guerras.

Hatikvá, o hino nacional 
Escrito pelo poeta Naftali Hertz Imber, em 1878, na Romênia, Hatikvá (em português, “A esperança”), foi originalmente adotado como hino do movimento sionista. Foi executado pela primeira vez como Hino Nacional pela Orquestra Filarmônica de Israel. A canção representa o anseio e a esperança do povo judeu por sua volta a Sion, outro nome dado a Jerusalém. O tema musical é comum a várias melodias populares da Europa Centro-oriental, incluindo o célebre Rio Moldava, do compositor tcheco Bedrich Smetana.

 

Hatikvá
A Esperança

Kol od balevav penimá
Enquanto no fundo do coração
Nefesh iehudi homiá
Palpitar uma alma judaica
Ulfaatei mizrach kadimá
E em direção ao Oriente
Ain le Tzion tzofiá
O olhar voltar-se a Sion
Od lo avdá tikvateinu
Nossa esperança ainda não está perdida
Hatikvá shnot alpaim
Esperança de dois mil anos
Lihiot am chofshi be artzeinu
De ser um povo livre em nossa terra
Eretz Tzion v’Ierushalaim
A terra de Sion e Jerusalém

Orações 
Tefilá l’shalom ha’Mediná
(Oração pela paz no Estado de Israel)
Avinu shebashamaim, Tzur Israel vegoaló, barech et Medinat Israel, reshit tzmichat gueulatênu. Haguen aleha beevrat chasdecha ufros aleha sucat shelomecha ushlach orcha vaamitecha lerasheha, sareha veioatzeha vetakenem beetzá tová milfanecha.
Chazêc et iedei meguinei Eretz kodshenu, vehanchilem, Eloheinu, ieshuá vaateret nitzachon teatrem, venatata shalom baaretz v’simchat olam leioshveha.
Nosso Pai que está no céu, Rocha de Israel e seu Redentor. Abençoe o Estado de Israel, princípio do crescimento da nossa redenção. Ampare-o com Sua benevolência e estenda sobre ele a tenda da Sua paz. Envie Sua luz e Sua verdade aos seus dirigentes, ministros e conselheiros, encaminhando-os com Seus bons conselhos.
Fortifique as mãos dos defensores da nossa Terra Santa e faça-os herdar, ó nosso Deus, a salvação, coroando-os com glória. Proporcione paz na terra e alegria eterna aos seus habitantes.