Behaalotechá

Nesta semana a Torá nos conta que o mishcán (o “templo móvel” que nos acompanhou durante os 40 primeiros anos após a saída do Egito) era sempre desmontado e remontado a cada vez que os nossos antepassados levantavam acampamento e colocavam-se em marcha em direção ao próximo local onde se fossem acampar.
 
Fossem os israelitas acampar por semanas a fio, ou ficar ali somente por um único dia, o mishcán era erguido do mesmo modo, e os ofícios religiosos eram ali realizados.
 
Segundo a parashá Behaalotechá, quando caminhávamos pelo deserto, o Eterno seguia conosco como uma nuvem protetora; quando a nuvem parava, nós interrompíamos a caminhada e repousávamos junto à Divindade; e quando partia a nuvem, nós retomávamos nossas andanças, seguindo o caminho desconhecido rumo à terra que ansiávamos conhecer.
 
Vaihí binsôa haarón.
 
Já mais à frente, o texto diz que “quando a Arca da Aliança começava sua viagem, Moisés dizia: ‘Levanta-Te, Deus!’ (…) e quando a Arca parava, ele dizia: ‘Repousa, Eterno!’” (Nm 10:35-36).
 
Afinal de contas, eram Moisés e o povo que seguiam a nuvem, ou era a nuvem que seguia Moisés e o povo? Ao mesmo tempo em que acompanhávamos a nuvem ela também nos seguia, e Sua sombra protetora não nos deixava esmorecer.
 
Os versos acima são entoados em nossa liturgia sempre que retiramos o Sêfer-Torá para a leitura, e sempre que o reconduzimos de volta ao Arón haCódesh. Esse texto de mais de 3300 anos poderia ter ido parar nos museus, como tantos outros textos da antiguidade. Mas ele insiste em viajar no meio do povo e se renovar através de cada um de nós.
 
E a cada vez que a Torá inicia sua viagem, cada um de nós embarca nela como caronista por caminhos agradáveis e estradas de paz (derachêa darchêi Noam, vechól netivotêa shalom). Seus valores nos fortificam e sua frondosa sombra nos protege, pois ela (a Torá) é como uma Árvore de Vida para todo aquele que se apega a ela e adere a seus princípios.
 
Boa viagem a todos nós!
 
 

Shabat shalom.
Moré Theo Hotz